Falar de Amizade e da amizade de uma forma concreta e pessoal traz-me imensas coisas á mémoria. É dificil pensar nisso superficialmente e ao mesmo tempo é dificil explicar a profundidade que traz essa palavra e a realidade que envolve. Há muitas definições poéticas para o sentimento de amizade, coisas que me fascinam muito e que dizem muito sobre o que eu vivo na minha vida concreta. Outro dia ouvi dizer: "A amizade é a super abundância do amor" e pensei comigo mesma como isso explicava tudo! De facto o amor genuino que existe numa amizade verdadeira transcede qualquer receita, qualquer conjunto de palavras bonitas, qualquer diferença. Transcede até a noção humana do limite de afecto. E mesmo no exagero da afeição conhece a paz de ser livre e paciente. É, de facto, uma experiência consoladora. Um dom, uma graça, um presente de Deus. E é nesse contexto de presente que surge ainda a responsabilidade pelo outro. Uma responsabilidade que vai para além do cuidado e da atenção, uma responsabilidade confiada, com o desejo de crescer, de ser próximo numa troca consciente e profunda.
Sinto que nas minhas relações mais próximas, não sou apenas eu e o outro que crescemos nesta troca e com esta responsabilidade. Sinto que o modelo de amigo que tenho, que é Jesus, faz toda a diferença. É a base para a construção de uma verdade sólida e ao mesmo é o motivo de um projecto comum de união e amor, que não fica só entre nós os dois, mas onde cabe o mundo todo num abraço... São essas relações construidas a três que me transformam no melhor de mim e que deixam cada vez mais forte a minha vontade de amar o mundo como ao meu melhor amigo.
domingo, 13 de setembro de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
Children see. Children do.
Quando vi este vídeo, depois de analisar o marketing e a criatividade que ele envolve, deixe-me tocar no coração. E apartir de uma ideia simples, engraçada até, percebi a grandeza da mensagem: a responsabilidade que temos. Uma responsabilidade que cresce com o passar dos anos e que exige coerência e respeito. A coerência e o respeito que damos, ou que devemos dar para construir relações sólidas e verdadeiras, para ser inteiro em tudo o que se faz, para lutar com confiança, vencer com humildade, crescer com compromisso! Para viver um presente de beleza e para planear um futuro com segurança. É isto que somos chamados a fazer. Seja como for. Esta é a missão, ou a obrigação de todos nós: dar o exemplo! E um exemplo bom.
terça-feira, 2 de junho de 2009
O menino da Varanda
Qualquer coisa dizia que aquela não seria a última vez, disse ele quando me contava a linda história que eu via passar nos seus olhos. Sempre foi um sonhador. Daqueles homens que exibem o cabelo branco com orgulho, alegria e até uma certa ousadia. O vovô tinha tudo isso e muito mais. Carismático. Encantador, diria ela. Homem com H maiúsculo, voz de macho e um coração derretido pela vida. Bem houvesse se nós soubessemos nos derreter pelas coisas boas da vida. As nossas conversas eram longas reflexões. Divertidas, na varanda, ao pé da árvore que havia plantado quando menino. Fazia algum tempo do seu tempo de menino, mas o menino ainda vivia sorridente naquele sorriso bangelo e cheio de ternura. Me encantava a sua ternura, o jeito de falar da vida, do amor... Do seu amor. O amor dela, por ela, com ela. O nome dela não faltava embora faltasse sempre a sua presença. Não reclamava. Notava-se quase nada de tristeza nos olhos, a triste da saudade, que ele teimava em justificar com românticas lembranças de uma felicidade completa. E teimava em enganar com a malandrice de quem sempre fez da vida um palco, de verdades inventadas e muitas emoções.
domingo, 24 de maio de 2009
Recuerdos de una vida
Buenos Aires. Décima terceira lua de mel. Restaurante Camino, nove e dez da noite. Ela esperava sentada na mesa do canto que dava para ver a rua movimentada. Tinha o mesmo ar romatico e delicado de há vinte anos atrás. Continuava linda como sempre. Cheguei atrasado mas tinha comprado flores. Ela nem reclamou. Beijei-a carinhosamente. Ela ainda tinha a mesma mania de tocar o meu rosto suavemente, passeando o dedo pelos meus olhos, nariz e boca. Pedi um vinho que ela também bebeu. Um brinde. Um sorriso. Falamos das nossas recordações juvenis como troféus de um romance que deu certo. Casamos em oitenta e nove. Éramos loucos apaixonados dos anos oitenta. Loucos e Apaixonados como hoje. Ela sempre teve o dom de me enlouquecer e eu sempre fui facilmente hipnotizado por aquela mulher. Tinhamos fogo no olhar de cúmplices, fogo no desejo, fogo até nas brigas. Vinte anos de casados e vinte e poucos momentos de tensão. Nada é perfeito e ela, apesar de parecer, também não é. Mas na verdade, eu nunca me importei com as brigas. Dava sempre certo no fim, na cama. Fomos felizes na loucura e na razão. Construimos e reconstruímos a nossa felicidade. Em cada tempo, um nome diferente para ela. O segredo estava no laço das nossas mãos e do nosso coração. Soubemos aceitar o tempo passar. De mãos dadas enfrentamos os desafios de quem começa a vida. De mãos dadas vivemos! Soubemos amar com mais vontade para que a paixão nunca deixasse de ser o nosso combustível. Soubemos sonhar sempre sonhos novos para que a vida não perdesse a graça. Vintes anos felizes, comemorados no mesmo restaurante da nossa primeira vez.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
sábado, 11 de abril de 2009
Chuva na janela.
Um som qualquer me acordara naquela manhã de sol escondido. Uma brisa fria entrou pela janela do quarto enquanto eu observava quase inconsciente o dia entregue, á porta dos meus sonhos, ao abrir dos meus olhos e do meu coração. Água fria, sabor á menta na boca. Sem maquiagem. Nunca gostei de máscaras nem disfarces. Tenho olheiras mesmo. E quase rugas. Não me importo tanto assim. A vida traz marcas bem mais fundas que a imagem dos meus olhos naquele dia. Gosto da verdade crua. Crueldade é não ser feliz todos os dias. E o tempo passa loucamente quando pensamos em desistir. Aqueci o motor do carro, liguei o rádio e a música era suficientemente calma para me deixar viajar. Viajei até aquele jardim que outrora via nos meus sonhos de menina. Pensar em tudo é como criar o roteiro de um filme. Um filme entregue á ternura do saber apenas não saber de nada. E do querer somente o pouco de cada sorriso, o pouco que tivesse sido dado. Sempre tive ambições exigentes. E ainda assim contento-me com os pequenos acasos! Sou irritantemente exigente. E daí? A vida é um espelho. E eu quero que ela me veja grande. Ser grande para assumir as verdades do coração! É preciso ser grande até para reconhecer-se fraco. Reconheço a minha pequenez. E vejo o meu limite! Vai até ao infinito do que acredito. Confesso, não sei poupar! Para quê? Nada é meu. E o tempo passa! E leva tudo. Antes que ele leve, eu dou! Dou o que tenho de melhor. E depois espero que também queiram o meu pior! O meu pior tem a pretensa mania de querer melhorar! E essa busca insensata me leva sempre ao lugar que devo estar. Sou e estou onde devo. A minha dor tem poesia e o meu olhar... O meu olhar tem desejo de entregar-me!
domingo, 5 de abril de 2009
Florbela Espanca
Saudades
Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!
Florbela Espanca
Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!
Florbela Espanca
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