Sempre pensei que os sonhos são o combustível para viver a vida. Mas melhor que o Cazuza pra falar disso, acho que é impossível.
O Cazuza, para quem não conhece foi um grande cantor da música brasileira que virou ícone na década de 80, morreu de SIDA aos trinte e poucos anos.
Para mim é um mestre da poesia despretendida e apesar de louco, um sonhador que soube ser feliz nas pequenas coisas.
Enquanto ouvia a música (que partilho aqui) pensava nas minhas ideologias, naquilo que me faz andar para frente, ir a luta, dar a cara. São muitos sonhos, é muita vontade de viver com tudo, sem pesar nem medir amor ou generosidade.
E confesso que no meio de tantos sonhos, eu também já pensei em mudar o mundo. E não acho que isso seja mera pretensão... Mas serei eu capaz de faze-lo no silêncio? Serei eu capaz de mudar o mundo sem belas canções para embalar, sem virar mito, sem nada? Quantos de nós o fazem com ou sem grandes ideologias. E quantos de nós, ainda esperamos por uma ideologia para viver!
domingo, 22 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Ser feliz para sempre: apenas uma utopia?
"Tem muita gente que se distrai e é feliz pra sempre, sem conhecer as delícias de ser feliz por uns meses, depois infeliz por uns dias, felicíssimo por uns instantes, em outros instantes achar que ficou maluco, então ser feliz de novo em fevereiro e março, e em abril questionar tudo o que se fez, aí em agosto ser feliz porque a ousadia deu certo, e infeliz porque durou pouco, e assim sentir-se realmente vivo porque cada dia passa a ser um único dia, e não mais um dia"
Martha Abreu
Martha Abreu
sábado, 24 de outubro de 2009
Será uma espécie de anestesia?
"Como eu mesma ainda sou tão jovem e cheia de vontade indescritível de não me deixar arrasar e ter a sensação de poder ajudar a preencher vazios surgidos e para isso sentir forças, dificilmente me apercebo de quão empobrecidos, nós jovens, nos encontramos, e quão solitários ficamos. Ou será também uma espécie de anetesia?"
Acabei de ler esse pequeno trecho do Diário de Etty Hilesum e as palavras dela ficaram (ficam sempre) sobrevoando os meus pensamentos de uma maneira que me obriga a pensar com alguma profundidade, talvez nem tanta como ela, mas mesmo assim é descer fundo na consciência que tenho da vida, de mim, do mundo. De repente pensei nas anestesias que vivemos ou que fingimos viver, não sei bem. Estar anestesiado é ter dor e não a sentir, saber que ela está lá mas não confrontar-se de frente com o que dói. E isso também pode ser um estado de indiferença de tudo o que corre mal a volta. É como não dar importância nem a minha capacidade de bem nem à aquilo que sou capaz de melhorar.
Ás vezes sinto-me com uma enorme responsabilidade de "ajudar a preencher vazios surgidos" e sinto que posso faze-lo, então me encho de forças. Outraz vezes, mudo a estratégia para um otimismo pouco fundamentado que me anestesia de tudo isso. E agora pergunto: qual é o limite entre a minha força para Ser e fazer e a minha pequenez?
Acabei de ler esse pequeno trecho do Diário de Etty Hilesum e as palavras dela ficaram (ficam sempre) sobrevoando os meus pensamentos de uma maneira que me obriga a pensar com alguma profundidade, talvez nem tanta como ela, mas mesmo assim é descer fundo na consciência que tenho da vida, de mim, do mundo. De repente pensei nas anestesias que vivemos ou que fingimos viver, não sei bem. Estar anestesiado é ter dor e não a sentir, saber que ela está lá mas não confrontar-se de frente com o que dói. E isso também pode ser um estado de indiferença de tudo o que corre mal a volta. É como não dar importância nem a minha capacidade de bem nem à aquilo que sou capaz de melhorar.
Ás vezes sinto-me com uma enorme responsabilidade de "ajudar a preencher vazios surgidos" e sinto que posso faze-lo, então me encho de forças. Outraz vezes, mudo a estratégia para um otimismo pouco fundamentado que me anestesia de tudo isso. E agora pergunto: qual é o limite entre a minha força para Ser e fazer e a minha pequenez?
domingo, 11 de outubro de 2009
Amigos, de Oscar Wilde
“Não escolho os meus amigos pela cor da pele ou por outro arquétipo qualquer, mas pela pupila: tem que ter brilho questionador no olhar e tonalidade inquietante. A mim não interessa os bons de espírito nem os maus de hábito. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo; deles não quero resposta, quero meu avesso; que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso só sendo louco. Quero-os santos para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pela injustiça. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também a sua maior alegria: amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos ou chatos, quero-os metade infância, metade velhice. Crianças para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.”
domingo, 13 de setembro de 2009
Amizades a 3
Falar de Amizade e da amizade de uma forma concreta e pessoal traz-me imensas coisas á mémoria. É dificil pensar nisso superficialmente e ao mesmo tempo é dificil explicar a profundidade que traz essa palavra e a realidade que envolve. Há muitas definições poéticas para o sentimento de amizade, coisas que me fascinam muito e que dizem muito sobre o que eu vivo na minha vida concreta. Outro dia ouvi dizer: "A amizade é a super abundância do amor" e pensei comigo mesma como isso explicava tudo! De facto o amor genuino que existe numa amizade verdadeira transcede qualquer receita, qualquer conjunto de palavras bonitas, qualquer diferença. Transcede até a noção humana do limite de afecto. E mesmo no exagero da afeição conhece a paz de ser livre e paciente. É, de facto, uma experiência consoladora. Um dom, uma graça, um presente de Deus. E é nesse contexto de presente que surge ainda a responsabilidade pelo outro. Uma responsabilidade que vai para além do cuidado e da atenção, uma responsabilidade confiada, com o desejo de crescer, de ser próximo numa troca consciente e profunda.
Sinto que nas minhas relações mais próximas, não sou apenas eu e o outro que crescemos nesta troca e com esta responsabilidade. Sinto que o modelo de amigo que tenho, que é Jesus, faz toda a diferença. É a base para a construção de uma verdade sólida e ao mesmo é o motivo de um projecto comum de união e amor, que não fica só entre nós os dois, mas onde cabe o mundo todo num abraço... São essas relações construidas a três que me transformam no melhor de mim e que deixam cada vez mais forte a minha vontade de amar o mundo como ao meu melhor amigo.
domingo, 19 de julho de 2009
Children see. Children do.
Quando vi este vídeo, depois de analisar o marketing e a criatividade que ele envolve, deixe-me tocar no coração. E apartir de uma ideia simples, engraçada até, percebi a grandeza da mensagem: a responsabilidade que temos. Uma responsabilidade que cresce com o passar dos anos e que exige coerência e respeito. A coerência e o respeito que damos, ou que devemos dar para construir relações sólidas e verdadeiras, para ser inteiro em tudo o que se faz, para lutar com confiança, vencer com humildade, crescer com compromisso! Para viver um presente de beleza e para planear um futuro com segurança. É isto que somos chamados a fazer. Seja como for. Esta é a missão, ou a obrigação de todos nós: dar o exemplo! E um exemplo bom.
terça-feira, 2 de junho de 2009
O menino da Varanda
Qualquer coisa dizia que aquela não seria a última vez, disse ele quando me contava a linda história que eu via passar nos seus olhos. Sempre foi um sonhador. Daqueles homens que exibem o cabelo branco com orgulho, alegria e até uma certa ousadia. O vovô tinha tudo isso e muito mais. Carismático. Encantador, diria ela. Homem com H maiúsculo, voz de macho e um coração derretido pela vida. Bem houvesse se nós soubessemos nos derreter pelas coisas boas da vida. As nossas conversas eram longas reflexões. Divertidas, na varanda, ao pé da árvore que havia plantado quando menino. Fazia algum tempo do seu tempo de menino, mas o menino ainda vivia sorridente naquele sorriso bangelo e cheio de ternura. Me encantava a sua ternura, o jeito de falar da vida, do amor... Do seu amor. O amor dela, por ela, com ela. O nome dela não faltava embora faltasse sempre a sua presença. Não reclamava. Notava-se quase nada de tristeza nos olhos, a triste da saudade, que ele teimava em justificar com românticas lembranças de uma felicidade completa. E teimava em enganar com a malandrice de quem sempre fez da vida um palco, de verdades inventadas e muitas emoções.
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